A inovação empresarial depende do engajamento das pessoas

Jussara Dutra

A palavra inovação – que tem origem no termo latino innovatio – é aplicada quando algo que é desenvolvido pouco se parece com os padrões conhecidos. Em tempos de economia globalizada, a capacidade das empresas em inovar não somente representa uma vantagem competitiva; é também fator estratégico para a sustentabilidade do negócio.

A essência da inovação é questionar as crenças existentes e desafiar a lógica convencional. A partir desse “pensar diferente” podem surgir ideias que revolucionam o mundo, novos produtos e serviços são criados, muitas empresas nascem e outras se reinventam.

Uma questão sempre presente nas discussões sobre inovação é como promover a criatividade, quebrar paradigmas, instigar novos conceitos, sair do círculo da mesmice que desmotiva os colaboradores e favorece a concorrência. O desafio é construir um clima propício para que as pessoas criem vínculos e escolham engajar-se, comprometer-se com os objetivos da organização.

Engajamento implica ter pessoas mobilizadas em prol da realização de uma causa, para que voluntariamente dediquem seus esforços para criar. Afinal, esse não é um processo que se implanta somente com a publicação de um procedimento.

Somos seres racionais. Essa é uma afirmação indiscutível. O que precisamos sempre lembrar é que somos também seres emocionais. O engajamento, que é um processo emocional, está diretamente ligado à capacidade das lideranças de se comunicarem com as equipes, para que estas se sintam capazes de contribuir e participar (empowerment). Além disso, a empresa precisa comunicar com clareza seus objetivos, já que é muito difícil as pessoas se mobilizarem para uma causa, se não têm clareza a respeito dela.

Outro aspecto importante a ser considerado é que a gestão do processo de inovação precisa garantir que o esforço criativo seja canalizado, a análise dos riscos e oportunidades seja realizada de forma eficaz e, principalmente, que a implementação seja cuidadosamente planejada e monitorada.

A implementação adequada de uma inovação representa um desafio tão grande quanto a criação do extraordinário. Estudos e casos de sucesso nos mostram que há culturas mais propícias à implantação da gestão da inovação, pois promovem a participação, apresentam maior tolerância a erros e, consequentemente, as pessoas se sentem capazes e motivadas para contribuir. Há um cuidado com todo o processo de inovação, desde a captação da ideia até a implementação, e as lideranças são capazes de influenciar as pessoas para que se motivem a criar.

Não há um manual para a implantação do processo de inovação que se aplique igualmente a todas as empresas. Felizmente existem boas práticas acessíveis na literatura e por meio de benchmarking, que podem servir como referência, mas precisamos lembrar que a cultura organizacional é tão exclusiva quanto o DNA de cada uma das pessoas que compõem a empresa. Portanto o sucesso de uma metodologia implementada em uma organização não garante que ela atinja excelentes resultados em outra cultura.

Para incentivar a criatividade, as empresas têm buscado ações de reconhecimento financeiro e não financeiro, tais como: divulgação interna e externa enaltecendo a contribuição, premiação em cerimônias formais com presença de familiares, participação em eventos ou cursos no Brasil e no exterior, aumento no subsídio de benefícios, participação nos resultados do que foi criado, remuneração variável, entre alternativas que mais se ajustam às possibilidades de cada empresa e perfil dos colaboradores.

A gestão da inovação continuará sendo um tema recorrente por muitos anos, assim como o foco em gestão de pessoas. Afinal, a longevidade das empresas está diretamente ligada ao desenvolvimento de líderes capazes de promover condições favoráveis para engajar pessoas, para que se sintam felizes no trabalho e motivadas para contribuir com o seu melhor.

*Jussara Dutra é gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Senior

Originalmente publicado no site da revista Você RH.