China faz uso de painel solar leve e flexível para revestir estradas, o OPV

Na China, o asfalto das estradas está sendo substituído por piso que capta a luz solar para gerar energia. O trecho de um quilômetro de uma rodovia de pista dupla em Jinan, na província de Shandong, teve o asfalto substituído por placas solares recobertas por um polímero transparente, capaz de suportar o peso e o atrito de carros e caminhões. Com área de 5.875 metros quadrados, a estrada elétrica gera energia suficiente para abastecer 800 residências.

A iniciativa da Shandong Pavenergy segue experimentos realizados pela francesa Colas em 25 estradas e estacionamentos na França, no Canadá, no Japão e nos EUA, mas ambas padecem do mesmo problema: o custo. O recapeamento e a manutenção de uma estrada de asfalto custa cerca de US$ 120 o metro quadrado por década. O preço previsto para a estrada solar, considerando a produção em massa, fica entre US$ 310 e US$ 460, segundo cálculos do “New York Times”. Mesmo considerando a energia produzida, a tecnologia levaria mais de 15 anos para se pagar. Por outro lado, a aplicação dos painéis solares traz ares de modernidade, podendo integrar lâmpadas LED para sinalização e, no futuro, oferecer carregamento automático para as baterias de carros elétricos.

As estradas solares ainda têm a vantagem de utilizar áreas já construídas para a geração de energia limpa, ajudando no combate às emissões de gases-estufa. Essa capacidade de se adaptar ou substituir construções já existentes é o principal atrativo dos chamados fotovoltaicos orgânicos (OPV, na sigla em inglês). Francisco Veloso, diretor da área de Performance Materials da Merck, uma das companhias que produz o material, explica que o composto químico se parece com uma tinta, e é aplicado sobre painéis flexíveis da mesma forma que as impressões em gráficas. “Por serem flexíveis, transparentes e moldáveis, há um leque de possibilidades para a aplicação desses painéis” comentou Veloso. (O Globo – 17.06.2018)