Negócios em Pauta debate inovação e tecnologia

Depois de dez dias na Califórnia, Estados Unidos, em uma imersão na cultura de empresas e universidades norte-americanas, o consultor em gestão empresarial e governança corporativa, Fernando Röhsig, foi um dos convidados do workshop de setembro do projeto Negócios em Pauta, realizado na noite de terça-feira, 25 de setembro no Tecnovates, em Lajeado. O painel, que também contou com a participação do cientista da computação e diretor de Tecnologia da Aztec, Eduardo Pitol, e da diretora de Inovação e Sustentabilidade da Univates Simone Stülp, teve como tema a inovação e o ciclo tecnológico, apontando alternativas para que as organizações locais possam se inserir nas transformações em andamento.

Em um roteiro que incluiu a Jornada Técnica ao Vale do Silício com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e o Summit da Singularity University, Röhsig visitou polos educacionais e empresas como Tesla, Google e Paypal, onde teve contato com fatos históricos, modelos de gestão e inovações que garantiram o progresso daquela região. A partir dessa experiência, seu maior aprendizado diz respeito à cultura empreendedora e a necessidade de se ajustar e evoluir, independentemente do porte do negócio. Ao alertar que mudar é um processo difícil e que exige coragem, o consultor afirmou: “Voltei convencido de que ou as empresas adaptam a sua cultura à necessidade da inovação ou a gente já nem começa”. Segundo ele, o Vale do Silício alcançou tamanho desenvolvimento graças a um ecossistema inovador composto por quatro pilares: diversidade, conhecimento, capital e rebeldia, sendo esse último a força que muda qualquer status já estabelecido. “Você tem que ser rebelde no sentido de sair da zona de conforto”, esclareceu.

Para Pitol, esse ecossistema citado por Röhsig é pertinente, mas não determinante: “Acho que todos esses pilares são realmente importantes, mas quem faz o negócio pulsar mesmo são as pessoas, os empreendedores”. Na sua avaliação, é significativo ter o Vale do Silício como inspiração, mas comparar nossa realidade com a da Califórnia é covardia, visto que qualquer um vai ser pequeno perto das empresas de lá. “A gente tem muito o que aprender com eles, mas na hora de fazer, de criar a cultura, temos que olhar para dentro, para o que temos aqui e o que nos torna singulares”, atentou. O profissional ainda acrescentou que em termos de inovação e tecnologia o que nos falta é a cultura do erro, principalmente diante de um processo caracterizado pelo risco: “A gente tem que aprender com os nossos erros e não simplesmente ignorá-los”.

Oportunidades

Röhsig revelou onde estarão as grandes oportunidades para os empresários. A primeira delas está ligada ao alcance da internet nos próximos sete anos. Isso porque ele teve acesso a estudos que revelam que em 2001 apenas 7,6% da população mundial estava conectada, ao passo que em 2017 já estava em 50%. Para 2025, a meta é atingir praticamente 100%. “Esse número, de todo mundo ter acesso à internet, é muito forte”, observou. Da mesma forma, o outro ponto está no aumento da capacidade e velocidade de processamento das máquinas, o que permite que as informações sejam analisadas individualmente para cada pessoa e faz com que as empresas se tornem exponenciais. Ao trabalhar com dados personalizados, há uma significativa mudança nas relações com clientes, especialmente na saúde, educação e transporte, atingindo outra dimensão econômica.

Diante disso, as palavras-chave para qualquer pessoa, independentemente da idade, é resolver problema e o que muda na força de trabalho é a necessidade de flexibilidade e colaboração. “O que você tem que saber fazer é resolver problemas. Isso tem valor”, concluiu.

Cultura empreendedora

Simone mencionou que a temática da inovação e do ciclo tecnológico é cada vez mais recorrente nas discussões, mas ainda precisa envolver de forma conjunta empresas, instituições de ensino e sociedade, os quais devem adotar uma cultura empreendedora: “Se não tivermos isso muito presente no nosso dia a dia e nas nossas ações, vai ficar mais no discurso do que na prática”. Ela projetou: “Eu acredito que a motivação e o brilho no olho mudam o mundo. Se algumas das sementes germinarem nesta noite, isso já diz muito para a nossa cidade e região”.

Fonte: http://www.sincovat.com.br