O “NOVO NORMAL”

O que já sabemos

Desde a declaração de pandemia feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a consultoria McKinsey tem ouvido centenas de pessoas no intuito de rastrear os novos hábitos pessoais e profissionais decorrentes do isolamento.

A tendência mais marcante observada é a reflexão pessoal sobre o que é, de fato, essencial. Conforme o estudo, foi o maior tempo de convivência familiar e a restrição nos deslocamentos que levou as pessoas a reavaliarem a maneira como suas vidas estavam estruturadas.

 

Ponto de vista pessoal:

Aprofundamento das relações pessoais: embora as pessoas sempre tenham afirmado que a família era prioridade, isso não era traduzido na forma de tempo dedicado, o que é uma realidade agora.

Ressignificação sobre o que traz felicidade: exceto pela parcela de pessoas que depende de renda obtida diariamente, há uma tendência generalizada de desaceleração profissional por parte de pessoas que perceberam que podem viver com menos dinheiro e, consequentemente, menos consumo. Algumas pessoas têm reavaliado o valor do trabalho em suas vidas, dando atenção ao que realmente traz alegria para elas.

Saúde como prioridade: o estudo identificou o crescimento de uma mentalidade que coloca asaúde em primeiro lugar em países, realidadessocioeconômicas e idades distintas.

Essas tendências são relevantes porque traduzem novos comportamentos. É possível olhar para elas e antecipar o tipo de escolha que as pessoas irão fazer quando o “novo normal” se consolidar. Afinal, conclui a McKinsey, é bem pouco provável que a sociedade como um todo retorne à maneira como as coisas eram feitas antes.

 

Ponto de vista profissional:

Propósito: preferência cada vez mais acentuada por trabalhar e consumir de organizações baseadas em propósito e não somente em lucro, o que representa uma potencial oportunidade para cooperativas, que são organizações focadas em propósito ao contribuírem para o desenvolvimento sustentável das comunidades em que estão inseridas.

Flexibilidade: disposição a novos trade-offs, como trocar altos salários por mais flexibilidade, menos deslocamento e um ritmo menos intenso de trabalho, entre outras trocas

Equilíbrio: resistência a trabalhar em organizações que não aplicam na prática iniciativas para proporcionar equilíbrio entre vida pessoal e trabalho

 

Mudanças nos hábitos de consumo:

Pesquisa conduzida pelo Google mostra que houve impactos imediatos nos hábitos de consumo em todos os níveis da pirâmide de necessidades: sociais, aspiracionais, emocionais e funcionais.

O Google pontua, ainda, os principais impactosesperados para o pós-crise:

Aceleração da digitalização para ocupações fundamentais como trabalho e educação, além de hábitos como o culto religioso.

Aceleração da confiança no digital como canal de conversões: aumento das compras e uso de serviçoson-line.

Consolidação de plataformas digitais de conteúdo e streamings em penetração e frequência.

Possível abalo nas relações familiares com aumento do número de divórcios, a exemplo da China, devido ao aprofundamento das relações pessoais.

Possível ganho de peso populacional e aumento de problemas de saúde e emocionais em consequência. Aumento de problemas de autoestima. Possível mudança em referenciais de beleza. Provável aumento na demanda por academias após o fim do isolamento devido à priorização da saúde.

Empobrecimento da população com pelo menos 50% gravemente impactado. Escassez e uso mais racional de recursos devem equilibrar a euforia por consumo por conta da demanda reprimida.

Criação de maior consciência do coletivo com alta taxa de compartilhamento de renda já acontecendo.

Urgência na retomada de grandes decisões e planos, assim como compra de bens duráveis.

 

COVID-19 como aceleradora de tendências:

As tendências estão ligadas às primeiras manifestações de um determinado comportamento de consumo ou de uma necessidade emergente. Elas estão ligadas às mudanças em quaisquer setores: alimentação, transporte, saúde ou mesmo nos hábitos das pessoas.

Vivemos um período de grandes transformações e, segundo o futurista Jamie Metzla magnitude do que vivemos, tem um paralelo com as inovações que surgiram na 2ª Guerra Mundial. E essas inovações tem transformado os comportamentos, indicando tendências de novos hábitos futuros.

A WGSN desenvolveu uma pesquisa em que coloca a Covid-19 como catalisadora global de mudanças. Da mesma maneira que a McKinsey, a entidade aposta em mudanças profundas na sociedade.

Por meio de pesquisa a empresa identificou o principal acelerador de mudanças sociais deflagrado pela pandemia e que precisa ser levado em consideração para a formatação de negócios alinhadosà nova realidade mundial.

Este fator é composto por ansiedade e medo. Detectados já em 2017 como traços culturais da geração atual, a ansiedade e o medo estão presentes de forma ainda mais evidente nos consumidores.

Decorrentes deles, há uma tendência acentuada de aumento da preocupação com a saúde o bem-estar, além do fator financeiro. Nesse sentido, ganham espaço e visibilidade organizações capazes de gerar sensação de segurança e tranquilidade.

Este efeito, de acordo com o estudo, é alcançado por meio de transparência nas ações, além de certificações de qualidade e responsabilidade socioambiental. Foi detectada, inclusive, intenção de pagar mais por produtos e serviços com essas características.

Fonte: E-book “Mapear tendências: dicas para mapear o futuro de sua cooperativa – como se preparar para um mundo em transformação” – Inovacoop – Sistema OCB